segunda-feira, 28 de maio de 2012

Lorena, reserva especial (21 anos), 40% de álcool, Morro da Graça, Minas Gerais. Recebi essa cachaça de uma deusa loira, cujos pés, lembro-me bem, levitavam a alguns dedos do chão: uma graça divina, portanto. Longamente envelhecida em tonéis de carvalho, exibe uma bela cor doirada, como o uísque. Aromas cera de abelha, palha seca, amêndoas, broa de fubá. Corpo firme, equilibrado, com álcool agulhando a língua e esquentando a entrada da garganta. Sabor complexo, com prevalência da madeira e referências de couro e amêndoas. Uma cachaça elegante, com sabor europeu, causado pela prevalência do carvalho.

domingo, 27 de maio de 2012

Cartagena, carmenere, 2008, 12,5% de álcool, Vale Central, Chile (R$ 58,00). Retinto, com reflexos azulados, cheira a pimenta-do-reino, pimentão, marrasquino, couro cru e frutas silvestres. Encorpado e rascante, harmoniza fruta potente e madeira. Notas de groselha e chocolate. Ótima persistência final, na duração e no paladar. Vendido pela Vinea (juliana.cabral@vinea.com.br)

sábado, 26 de maio de 2012

Emilio Moro, 2005, 14,5% de álcool, Ribera del Duero, Espanha (R$ 110,00). Feito integralmente com uvas tinto fino (tempranillo), merece ser decantado antes de bebido. Rubi com reflexos marrons, deixando claro que já está pronto para ser bebido; o halo de evolução também é visível. Cheira a amoras, carne crua, anis, tabaco e tostados, referências repetidas no paladar, embora sobre uma base herbácea nítida, além de notas de chocolate amargo e baunilha. Encorpado, complexo, com excelente estrutura tânica, embora já redonda, deixando-o elegante, xainda que musculoso. Um vinhaço, simplesmente. Retrogosto magnífico e de longa duração.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Costela no Bafo

Restaurante e Choperia Costela no Bafo
Av. Prefeito Tuany Toledo, n. 145
Bairro Fátima II
Pouso Alegre, MG
Fone: (35) 3423-4833
Foi com alegria que recebi o convite para fazer a abertura do XIV Congresso Jurídico da Faculdade de Direito do Sul de Minas (FDSM). Gosto muito de Pouso Alegre, cidade acolhedora e com inquestionável qualidade de vida. Como se não bastasse, por trás de sua portentosa colunata, a FDSM mantém uma tradição de cultivo das artes jurídicas, o que desafia o palestrante.
Para lá fui, então, expor um tema delicado: “Blindagem Patrimonial e Planejamento jurídico”, palestra que toma por base o livro que escrevemos, eu e Eduarda, e que mereceu a publicação da Editora Atlas:http://www.editoraatlas.com.br/Atlas/webapp/detalhes_produto.aspx?prd_des_ean13=9788522464722
A proposta é demonstrar o que são as rotinas dos procedimentos de blindagem, via perigosa por implicar a realização de ilícitos civis, tributários e penais. Em contraste, demonstramos que existem abordagens lícitas de planejamento jurídico que podem – e devem – ser conhecidas pelos profissionais do Direito, da Administração de Empresas, da Contabilidade e áreas afins.
Após a palestra, os professores Kiko e Elias me levaram para jantar no Restaurante e Choperia Costela no Bafo, minha diga de hoje. O ambiente é despojado, como um bar, mas de bom gosto, feito no estilo country. Serviço atencioso e prestativo, cardápio  variado, embora sem muita sofisticação, o que seria de se espantar num bar. Os pratos são de ótima execução: a tilápia com amendoas estava correta e a costela no bafo é, sim, um prato gostoso, embora deva ser consumida quente; uma vez fria, os vícios da carne se revelam: as fibras e a gordura.
Detalhe para uma boa seleção de cachaças mineiras: Seleta, Germana, Canarinha, Regional, Vale Verde e Anísio Santiago, entre algumas outras, constituem um time que, certamente, alegra o començal.

domingo, 20 de maio de 2012

Pisano, tannat, 2006, 14% de álcool, Uruguai (R$ 49,00). Violeta escuro, perfumado a terra molhada, tabaco, carne de caça e amoras. Encorpado e rascante, com taninos agrestes. Enche a boca com notas herbáceas e, ao final, cerejas. Bom retrogosto.

sábado, 19 de maio de 2012

Montes Alpha, syrah, 2007, 14,5% de álcool, Vale de Colchagua, Chile (R$ 76,00). Violeta escuro, com aromas de damasco fresco, chocolate amargo, chá preto, couro cru, salaminho, ameixa em calda e pimentão; num segundo plano, sente-se até menta e casca de limão. Encorpado, bem seco e rascante, com boa estrutura e complexidade. Notas gustativas de framboesa, morango ainda não maduro e café coado, sobre uma forte base herbácea. Boa persistência. Recomendo para os que apreciam vinhos encorpados e tânicos. Gostei muito.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Château Pedesclaux, 2004, 13% de álcool, Pauillac (Bordeaux), França (R$ 194,00). Trata-se de um grand cru classé, ou seja, um vinho produzido numa propriedade com as melhores condições (terroir), numa das mais prestigiadas regiões vinícolas do mundo. perfumado a nata, cacau, maçã verde e romã. Corpo médio, com um amargor pronunciado que, certamente, tem origem nas barricas de carvalho. Tem um caráter interessante, distinto dos vinhos do novo mundo, com notas de café amargo, alecrim, couro e tostados. Mas falta-lhe elegância, delicadeza, brilho. Persistência média. Não me pareceu, definitivamente, uma boa compra.